Em meio ao caos político, um (anti) herói para o país: O Doutrinador.

Uma criança, com a camisa do Brasil ensanguentada por uma bala sem origem, assassinada pelo próprio sistema. Seria um retrato plausível para o país?

Em meio aos caos político que assola o Brasil, cujos últimos meses protagonizaram um doloroso processo eleitoral, culminando com a vitória do fascismo, da censura e do fim das liberdades sociais, parecia que realmente tudo o que (alguns) o povo necessita é de um libertador, um vingador com coragem o suficiente para fazer a justiça, uma vez que esta já nos abandonou há séculos. Nós, vítimas impassíveis da corrupção e do sistema burocrático.

o-doutrinador

Ao menos parece ser essa a premissa para os criadores de O Doutrinador, uma produção baseada no HQ homônimo de 2008, criado pelo do quadrinista carioca Luciano Cunha, que é também roteirista do filme. Na esteira das manifestações de junho de 2013, o quadrinho ganha visibilidade e estreia hoje (01/11) nos cinemas, sob a direção de Fábio Mendonça e Gustavo Bonafé.

A estética hollywoodiana, com sequências quase idênticas ao Demolidor da Marvel, garantiu boas cenas de ação e o filme consegue dar conta do que se propõe ao criar uma narrativa de anti-herói com sede de vingança e um motivo nobre. A jornada do Doutrinador, codinome de Miguel Montessanti (Kiko Pissolato), um policial de elite exemplar da fictícia Santa Cruz, é bem desenvolvida e segue os passos de muitas histórias que já vimos. Revoltado com a impunidade dos políticos corruptos e assolado pela perda da filha por descaso médico em um hospital público, Miguel parte para combater com as próprias mãos o mal: mata os políticos envolvidos em corrupção, tornando-se O Doutrinador, figura que divide as opiniões públicas. Para tal, conta com a ajuda de Nina, uma jovem hacker (e figura feminina importante na trama).

O filme tem início com um flashfoward bem executado que já introduz o clima de revolta com o sistema político.  Em meios a prédios e luzes urbanas de neon verdes, vermelhas e azuis, o filme tem um ambientação muito próxima à Gothan City, com o protagonista isolado em um esconderijo com correntes e goteira. As cenas de ação são bem executadas e gerenciam bem a tensão e a montagem muitas vezes cria uma alternância entre os lados opostos da luta. Há, porém, um excesso de dramatização, acentuada no som e em recursos de montagem e no uso da câmera lenta ou closes, que aparecem exagerados, fazendo com que o longa perca potência e se torne caricato e apelativo.

As personas do filme não bastante definidas e até muito óbvias e corriqueiras. Tem-se o (anti-) herói contraditório (nem bom nem mau), o policial (negro) honesto, a hacker ativista, a esposa solitária, a polícia corrupta e seus personagens tradicionais, os políticos de sempre.

O filme traz alguns jargões bem populares no país, como a proposta de um “Candidato da Renovação”, a máxima de que “polícia de elite pode fazer qualquer merda”

“O Sistema” é o antagonista maior, o , do Brasil no cinema nacional (relembremos dos filmes do Capitão Nascimento).

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