One Small Step – sobre passos e universos

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(O filme está disponível no Vimeo!)

Nos raros momentos em que me ocorre acessar não apenas lembranças rasas e episódicas da infância, mas memórias profundas, sensoriais, de cheiros, sons, impulsos, memórias que somem tão bruscamente quanto chegam, posso lembrar o quão fecundos eram os sonhos e a mente. Entre astronauta, neurocientista e surfista, meus sonhos se ancoravam em infinitos desconhecidos. A vastidão do universo, os mistérios da mente, a imensidão do mar profundo e oscilante, tudo por uma viagem que jamais parecia impossível.

Crescemos. As asas perdem força e, na caminhada pesada, os obstáculos ocupam a mente que já não é tão livre. A escola impõe moldes e limites às aspirações, às carreiras. As expectativas sociais exigem uma seriedade indesejada, comportamentos acomodados em caixinhas. O céu, o mar e a mente já não estão mais tão ao alcance. Frustrante.

Mas há sempre uma força lunar que nos atrai de volta à fonte. A fonte da criança, do bobo (no tarô, o louco ou o bobo é o arquétipo das histórias potenciais a serem vividas). Essa força iluminada são aqueles que vêm para dar suporte aos nossos sonhos*. Meus suportes vieram de casa e da rua. Meus pais incentivavam as ideias, tão divergentes fossem: entre as revistas de neurociência, aulas de dança, de ginástica, de teatro e os livros de cinema ainda adolescente (desculpe mãe, não li todos), há uma linha de amor e fé que o próprio sujeito não consegue dar a si. Com pesar, reconheço que quase sempre tive pouca fé em mim. Sempre segui, conduzida por um feixe de amor e luz que saía da mãe, pai, avó, tias e tios, amigas e irmãs(os).  Somei, muitas vezes, um feixe próprio que nem sempre irrompe, mas não cansa de surpreender.

Quanto custa um sonho? “One Small Step” conta a história de Luna, uma garota que desde criança sonha ser astronauta. O curta, produzido pelo TAIKO Studios e dirigido por Andrew Chesworthe e Bobby Pontillas, concorre ao Oscar de Melhor Curta Metragem de Animação. Um retrato sensível de amor e apoio, da fé no sonho de alguém. Luna, como a Lua, em ciclo, vive uma crise de falta de fé em si. Um pai que foi sempre um feixe, forte, que não deixou de guiá-la. É um filme para recordar as origens, reencontrar na nossa trajetória a dedicação e o amparo de quem sempre acreditou em nós. E honrá-los, honrar nossa história e o que nos trouxe ao hoje. Neil Armstrong parece estar certo sobre pequenos e grandes passos: um pequeno passo de alguém, como o pai que consertava sapatos, pode ser o grande passo para a humanidade.

“Você se lembra de quando você queria o que você tem agora?“**. Há dois dias em outro estado, outra Universidade, longe daqueles que são e foram sempre meu feixe e minha força, One Small Step me lembrou, como aquelas memórias repentinas, tão raras e profundas, exatamente de quando eu queria o que tenho hoje. Lágrimas de gratidão e uma promessa de tentar honrar a minha história.

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*O filme é dedicado “àqueles que dão suporte aos nossos sonhos” (for those who support our dreams).

** Frase que o destino colocou na minha timeline enquanto escrevia esse texto. Coincidência?

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