Oscar 2021 – Premiados (com comentários!)

A cerimônia do 93º Oscar, maior evento do cinema estadunidense e mundial, aconteceu no último domingo, 25 de abril, e foi marcada por novidades no formato da apresentação – em decorrência da pandemia – e por premiações memoráveis. Dentre os destaques, a cineasta chinesa Chloé Zhao marca a história do Oscar como a primeira mulher não-branca e segunda mulher a vencer um prêmio de melhor direção. Nomadland, filme de Zhao, foi o protagonista da noite com 3 vitórias. Conheça agora os premiados e os comentários sobre alguns dos filmes!

NOMADLAND

Venceu:

Melhor Filme
Melhor DireçãoChloé Zhao
Melhor AtrizFrances McDormand

O longa da diretora independente Chloé Zhao ganhou os holofotes da noite e levou o prêmio de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz (para a protagonista Frances McDormand). Tudo isso ganha uma dimensão ainda maior se compreendemos o que está por trás desta vitória – um filme sobre a população nômade estadunidense e o fracasso do sonho americano, dirigido por uma cineasta oriental e do cenário independente. Em toda a história do Oscar, apenas uma mulher havia levado o prêmio de Melhor Direção (Kathryn Bigelow venceu em 2010 pelo filme Guerra ao Terror). Se houvesse uma categoria de Melhor Discurso, Zhao sem dúvida venceria também!

Nomadland conta a história de Fern (McDormand), uma mulher viúva sexagenária que perdeu tudo e passou a viver em uma van, viajando pelo oeste dos EUA e transitando entre empregos temporários. Inspirado no livro homônimo de Jessica Bruder, trata de temas como a precarização (ou “uberização”) do trabalho humano pelo capitalismo, a relação afetiva com os espaços e as memórias e reflexões profundas sobre a vida. Grande parte do elenco é composta por não-atores, pessoas (nômades) reais, o que acentua a potência do filme e seu tom dramático. Zhao cria uma atmosfera que reitera o tempo todo a sensação de deslocamento, de espacialidades múltiplas – grandezas externas e internas. É um trabalho impecável de direção e de montagem, com uma condução é muito sensível. O ritmo é bastante lento, totalmente distinto das estéticas mais mainstreams, e o espectador é convidado a sentir a trama. Como sempre, a atriz Frances McDormand traz uma atuação muito forte e densa.

Frances McDormand e Chloé Zhao na cerimônia do 93º Oscar

Em um mundo (e um sistema) que historicamente desprivilegia narrativas de mulheres e sobre mulheres, um filme como Nomadland receber tanto reconhecimento (em vários outros eventos, além do Oscar), é muito importante para as indústrias cinematográficas, os públicos e todes aqueles que sonham em escrever e criar histórias. Além disso, uma jovem mulher oriental receber o prêmio que usualmente é dado a homens brancos estadunidenses é um momento ímpar. Importante também é entender o movimento: não é o Oscar que engradece essas produtoras e esses filmes, mas são estes que engradecem e valorizam o Oscar!

É o filme com menor bilheteria mundial a vencer essa categoria.

A VOZ SUPREMA DO BLUES (MA RAINEY’S BLACK BOTTOM)

Viola Davis, Chadwick Boseman e, no centro, o diretor George C. Wolfe

Venceu:
Melhor Cabelo e Maquiagem
Melhor Figurino

O filme que relembra a história da pioneira do blues nos EUA, Ma Rainey, interpretada pela gigantesca Viola Davis, não venceu na categoria de melhor atriz (Davis) nem de melhor ator, que tinha a indicação póstuma de Chadwick Boseman. Ambos trazem uma atuação impecável e eu realmente cheguei a torcer afetivamente por Boseman, embora reconheça que o trabalho do vencedor da categoria (Anthony Hopkins, por Meu Pai) foi merecedíssimo e era minha aposta mesmo. O filme está disponível na Netflix.

Mia Neal e Jamika Wilson, as duas responsáveis pela Maquiagem e Cabelo, foram as primeiras mulheres negras vencedoras nessa categoria. Elas trabalharam juntas para criar a caracterização das personagens e, no making-off do filme (que também está disponível na Netflix), é possível ver como as perucas foram construídas, algumas delas, usadas por Viola Davis, foram feitas com crina de cavalo, como eram feitas as perucas da própria Ma Rainey! A maquiagem pesada de Ma Rainey é um dos traços mais fortes do filme.

MEU PAI (MY FATHER)

Venceu:
Melhor AtorAnthony Hopkins
Melhor Roteiro Adaptado

Segundo prêmio de Melhor Ator para Anthony Hopkins que, aos 83 anos, se tornou o ator mais velho a recebê-lo. Ele não compareceu à premiação. Hopkins havia vencido em 1992 por O Silêncio dos Inocentes.

É, sem dúvida, um dos melhores filmes do último ano e eu cheguei a cogitar que pudesse levar o prêmio de Melhor Filme. O trabalho de Florian Zeller na direção é magistral e a condução da narrativa joga o espectador na mente do protagonista, que sofre com a perda de memória e demência. O roteiro, escrito por Zeller em colaboração com Christopher Hamptom, é uma adaptação da peça francesa Le père, escrita pelo próprio Zeller. O filme foi sua estreia na direção de um longa-metragem. Para saber mais sobre o filme, só clicar na crítica completa!

SOUL

Venceu:
Melhor Filme de Animação
Melhor Trilha Sonora

Comentei um pouco sobre o Soul no Instagram há um tempo. É um filme maduro e, já arrisco afirmar, um dos mais potentes que vi sobre uma coisa que parece tão simples: Toda a magia acontece no momento presente. Um músico de jazz e professor de colégio não vivia a vida que sonhava, mas é quando ele morre e viaja para outra dimensão para ajudar uma alma perdida, que ele compreende todo o sentido das coisas. Vou deixar só esse comentário. É lindo! Está disponível no Disney+.

DOIS ESTRANHOS (TWO DISTANT STRANGERS)

Venceu:
Melhor curta-metragem em live action

Escrito por Travon Free e dirigido por ele, em parceria com Martin Desmond Roe, o curta de ficção é uma história sobre um homem negro que revive diariamente um mesmo trauma com um policial branco. O roteiro, muito bem conduzido e com um final gigante, faz alusão aos milhares de negros e negras assassinados pela polícia racista. Em um momento em que o julgamento de George Floyd fez história na política dos EUA, é um filme que nos coloca questões sobre nossas sociedades e como a arte e o cinema podem revolucionar os discursos.

O filme está disponível na Netflix e tem 30′. Apenas imperdível!

BELA VINGANÇA (PROMISING YOUNG WOMAN)

Venceu:
Melhor Roteiro AdaptadoEmerald Fennell

Escrito e dirigido por Emerald Fennell, Bela Vingança, que tem um título super potente no original (“Jovem Promissora”) e uma tradução fraquíssima, é um filme sobre violência sexual, traumas e vingança. Carregado de ironia e alegorias, é uma narrativa forte, que não tem medo de arriscar no tom, mas que tem dividido opiniões. Eu, particularmente, acho um filmaço, mas tenho dúvidas quanto ao desfecho. A narrativa traz uma mulher, Cassandra, que é tudo o que não aparenta ser (nos moldes da sociedade machista elitista patriarcalizada branca): hiper inteligente, destemida, corajosa e com desejo de vingar a melhor amiga, vítima de um estupro.

A roteirista Emerald Fennell, que também é atriz, foi a primeira premiada da noite. Carey Mulligan, que interpreta a protagonista Cassie, estava indicada na categoria de Melhor Atriz e entrega uma performance excelente. Ela era uma das favoritas ao prêmio. Ainda não está disponível em streamings, apenas em cinemas (exibição em breve).

JUDAS E O MESSIAS NEGRO (JUDAS AND THE BLACK MESSIAH)

Venceu:
Melhor Ator Coadjuvante – Daniel Kaluuya
Melhor Canção Original – Fight for You

Inspirado na história real do revolucionário e presidente do Partido dos Panteras Negras de Chicago, Fred Hampton, que foi assassinado pelo FBI, com apoio da polícia de Chicago e de um criminoso infiltrado – William O’Neal, homem negro que foi coagido pela polícia a se infiltrar no movimento. A história é narrada na perspectiva de O’Neal, em um tom de confissão. Dirigido por Shaka King, com Ryan Coogler (diretor de Pantera Negra) como um dos produtores.

Daniel Kaluuya, que interpreta Hampton, levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. O colega de elenco Lakeith Stanfield (O’Neal) estava indicado na mesma categoria. A canção tema do filme, Fight for You, da cantora e compositora H.E.R, também foi premiada.

H.E.R com seu Oscar por Fight for You

MANK

Venceu:
Melhor Design de Produção
Melhor Fotografia

Dirigido por David Fincher, o filme conta a história de Herman J. Mankiewicz (interpretado por Gary Oldman), roteirista da obra-prima icônica de Orson Welles, “Cidadão Kane”, considerada um dos melhores filmes de todos os tempos. O filme é preto e branco e traz cenários gigantescos dos estúdios Hollywoodianos. Outro filme distribuído pela Netflix, Mank representou a força do streaming no Oscar, o que vem crescendo a cada ano e trazendo junto muitos debates.

MINARI

Yuh-jung Youn recebendo o prêmio

Venceu:
Melhor Atriz Coadjuvante

Dirigido por Lee Isaac Chung, o filme conta a história de uma família americana-coreana em uma fazenda no Arkansas. Yuh-jung Youn é foi a atriz sul-coreana que nos deu um discurso belíssimo e hilário. Além de ter ficado emocionada por receber o prêmio pelas mãos de Brad Pitt, ela foi a primeira sul-coreana a receber um prêmio por atuação no Oscar. Uma fofa.

OUTROS VENCEDORES

O SOM DO SILÊNCIO (THE SOUND OF METAL)

Venceu:
Melhor Design de Som
Melhor Edição

PROFESSOR POLVO (MY OCTUPUS TEACHER)

Venceu: Melhor Documentário

COLETTE

Venceu: Melhor Documentário de Curta-metragem

TENNET

Venceu: Melhor Efeitos Visuais


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s