Grande Magia – Vida Criativa sem medo [Resenha]

Por: Letícia Moreira

“Quando estou falando aqui de “viver criativamente” (…) estou falando de viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo.”

Elizabeth Gilbert

Paradoxalmente, ao contrário do que a noção de “Criatividade” de fato encarna, as impressões imediatas que usualmente temos quando evocamos o Criativo são visões limitadas de um fenômeno transcendental. Sim, a criatividade transcende nossos sensos pequenos de que Criar se restringe a uma esfera do artístico, do literário, ou a uma habilidade – limitada a poucos e seletos seres – de dar forma a algo não-usual e irreverente (geralmente artístico ou intelectual). Na real, ela é muito mais uma dádiva natural e mágica. Somos todes criatives!

A Criatividade rege a ordem fundamental e ontológica das coisas, dos cosmos e da vida. A base da existência é a criatividade: energia fundante que movimenta. Trazer a qualidade de criatividade pra nossas vidas extrapola a ação de criar coisas, mas aporta um sentido que vem de dentro: experimentar existir criativamente, em tudo que somos, pensamos, fazemos, assumindo nosso ser íntegro. E, inevitavelmente, o ser criativo cria. Ele é um ser movido pela curiosidade. As ferramentas e as possibilidades são infinitas. Não há limites.

É um pouco sobre isso que Elizabeth Gilbert fala em “Grande Magia: Vida criativa sem medo“, uma das suas obras não-ficcionais mais instigantes. Autora do best-seller Comer, Rezar e Amar e do maravilhoso Cidade das Garotas (que já comentei aqui), ela nos convida a observar nosso próprio processo, mostra de onde vêm as ideias e dá inúmeras dicas e conselhos de como aproveitar nossas habilidades e lidar com as dificuldades inerentes ao fazer criativo, como o medo e a procrastinação. Para quem trabalha com criação, é uma boa oportunidade de resignificar muitas coisas. Para quem não trabalha, necessariamente, com criação (embora desconfio que todo trabalho é criativo), é uma boa oportunidade de resignificar tudo. O livro tem tom de autoajuda e tá tudo bem, autoajuda às vezes é necessário! (caso você torça o nariz para o gênero).

É preciso continuar tentando, continuar vagando por uma floresta escura, tentando atrair a Grande Magia.

Elizabeth Gilbert

Liz (Gilbert, somos íntimas!) escreve desde memórias pessoais e tem uma sensibilidade de comunicar sem generalizar as experiências. Bem próximo do tom confessional de outras obras precedentes, nesta ela se ancora na pragmática da coisa, do ato de trabalhar, de encarar o trabalho criativo e de assumir uma postura ativa e respeitosa com os sonhos, os dons e as bênçãos dividas da Criação.

O livro é dividido em seis partes: Coragem | Encantamento | Permissão | Persistência | Confiança | Divindade (cada parte com subtítulos super legais!), e percorre temas como o medo, a insegurança, a procrastinação, a auto sabotagem, a rotina de criação e a dura verdade, muitas vezes sem glamour, que marca o trabalho criativo. Para quem produz arte – que pinta, atua, compõe, escreve, poetiza e proseiam por aí – a ideia e o ato de expor seu trabalho ao mundo pode ser um desafio gigante, e nesse livro encontramos pistas e alento nas palavras de incentivo e de cuidado. Lidar com o fracasso e com a demora de viver a vida que sonhamos é algo que atravessa a muitos de nós.

Existe, para a autora, uma dimensão mágica no ato de criar, de dar vida às ideias, e não é necessário nenhuma fé sobrenatural para entender a que ela se refere. Muitos de nós já conhecemos a experiência de ver surgir uma ideia, de sentir uma inspiração, de formigar os pés e os dedos quando algo parece surgir de um lugar mágico querendo ganhar forma através de nós. Não é simples colocar em palavras ou materializar racionalmente as experiências de inspiração. E Elizabeth Gilbert tem muita sensibilidade e clareza em descrevê-las.

Conviver com o medo, muitas vezes, nos impede de viver uma vida íntegra. Não existe como fugir dele, mas uma postura de abertura e curiosidade pode revelar um novo mundo de oportunidades e possibilidades. Para quem está carente de inspiração, ou enfrentando bloqueios na vida pessoal, profissional ou espiritual, sem dúvida esse livro pode tocar a atravessar muitas dimensões da vida.

Sim, sou fã de Elizabeth Gilbert e não sei escrever textos curtos. Obrigada se chegou até aqui! Tenho ele em PDF!

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